quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

PEMBA NO TERREIRO

O USO DA PEMBA NO TERREIRO

A pemba é um objeto presente nos rituais Africanos mais antigos que se conhecem. É fabricada com o pó extraído dos Montes Brancos Kimbanda e a água que corre no Rio Divino U-Sil. É empregada em todos os Rituais, Cerimônias, festas, reuniões ou solenidades africanas. Os médiuns e as Entidades Espirituais que atuam no Centro de Umbanda costumam desenhar pontos riscados com um giz de calcário, conhecido como pemba. Esse giz mineral, além de ser consagrado para ser utilizado nos pontos riscados, também pode ser transformado em pó e utilizado para outros fins de rituais de limpeza e proteção.


Quando uma Entidade se utiliza da pemba para riscar os pontos, ela está movimentando energias sutis que, dependendo dos sinais, pode atrair ou dissipar energias. Esses símbolos estão afins a determinada “egrégoras”, firmadas no astral, há muito tempo. A pemba, quando cruzada, ou seja, magnetizada por uma Entidade, se torna um grande fixador de energias. A pemba é utilizada para riscar pontos nas pessoas, mas principalmente riscar os pontos no chão. Cada ponto tem um significado que só a Entidade que risca sabe. O ponto quando riscado está criando um elo com o plano espiritual que emana energias, fluídos e vibrações diretamente no ponto. Na maioria dos casos quando é riscado um ponto a entidade põe alguém necessitado dentro dele, é quando a pessoa, às vezes, sente as vibrações, dependendo de sua sensibilidade. É possível também um médium vidente ver os pontos riscados brilharem e emanarem luzes diversas. A cor da pemba varia de acordo com as regras de cada centro e de acordo com cada Entidade. Normalmente ela é branca.

O termo pemba também é utilizado com relação à Lei Maior, ou seja, os trabalhadores da Umbanda são filhos de pemba, ou seja, estão sobre a proteção da Lei Maior. Dependendo de sua conduta, cumprindo com suas tarefas no Bem, ele estará protegido, ou caso não aja decentemente, lhe será cobrado para que responda pelo mal que fez e volte a caminhar no Bem.

As entidades espirituais que atuam no movimento umbandista se identificam por meio de sinais riscados traçados geralmente com um giz de cálcario conhecido como pemba. Esse giz mineral além de ser consagrado para ser utilizado para escrita magística também, pode ser transformado em pó e utilizado de outras formas em preparações ou cerimônias ritualísticas.

E o termo pemba também é utilizado na Umbanda no sentido de Lei, ou seja, confome o linguajar de Umbanda, se você está sob a Lei de Pemba, você está sob a Lei maior e isso possui sérios agravantes principalmente se o médium se desvirtua de sua tarefa pois, nesses casos a cobrança é imediata. Então, estar sob a corrente de Umbanda, estar sob a Pemba, exige muita cautela mas, por outro lado se o médium procurar cumprir suas tarefas e mantiver uma postura decente, essa mesma lei pode lhe ser favorável e muito útil porque o mesmo terá o auxílio direto das entidades do astral que lhe proporcionarão forças para trabalhar com dignidade.


Voltando a questão da escrita, não é sem propósito que a Lei é chamada de pemba pois, essa escrita sagrada traduz sinais que estão afins a determinadas egrégoras firmadas no astral a muito tempo. Assim, quando uma entidade de fato traça um sinal de pemba, ela está movimentando energias sutis, que na dependência da variação desses sinais, pode atrair ou dissipar determinadas correntes de energia com muita eficácia.


Esse assunto é muito complexo para ser aberto em um livro mas, no decorrer dos trabalhos mediúnicos o médium de fato e direto, segundo sua missão, merecimento e afinidades, pode receber determinados sinais diretamente das entidades espirituais que o assistem, no intuito de escudar esse médium contra o assédio do sub-mundo espiritual.


No mais, lembramos que esses sinais são de uso exclusivo das entidades vinculadas a corrente astral de Umbanda e sua utilização inadequada por pessoas não habilitadas podem gerar uma série de aborrecimentos bem como atrair determinadas energias e entidades de difícil controle que podem levar o indivíduo às raias da loucura.

Portanto, é necessária muita cautela nesse tema e é por isso que na maioria dos terreiros, casas, agrupamentos ou templos de Umbanda, as entidades ensinam e utilizam outros sinais mais simples e simbólicos, apenas de efeito elucidativo (por exemplo: corações, machados, espadas etc.), deixando os verdadeiros sinais de pemba velados até que os filhos amadurecem e possam adentrar nesses campos com segurança.
Enfim, o importante é procurar trabalhar e deixar que as entidades atuem da forma que elas acharem conveniente porque com certeza elas nos conhecem melhor do que nós próprios pensamos que nos conhecemos...

Carlinhos Lima - Astrologo, Tarologo e Pesquisador.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

SALVE IEMANJÁ

VAMOS SARAVÁ
MÃE IEMANJÁ
VAMOS TODOS JUNTOS
JOGAR FLORES NO MAR....


QUE CANTO LINDO QUE VEM LÁ DO MAR
PARECE QUE AS ONDAS ESTÃO A CANTAR
IE... IEMANJA
RAINHA DAS ONDAS
A DONA DO MAR









Seus filhos e filhas são serenos, maternais, sinceros e ajudam a todos sem exceção. Gostam muito de ordem, hierarquia e disciplina. São ingênuos e calmos até demais, mas quando se enfurecem são como as ondas do mar, que batem sem saber onde vão parar. São vaidosos mais com os cabelos. Suas filhas sabem seduzir e encantar com a beleza e mistérios de uma sereia. Geralmente as filhas de Iemanjá têm dificuldade em ter filhos, pois já são mães de coração de todos.

As filhas de Iemanjá são voluntariosas, fortes, rigorosas, protetoras, altivas e, algumas vezes, impetuosas e arrogantes; têm o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justas, mas formais.

Adoram por à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias. Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Elas têm tendência à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem um tal fausto.

Diversos

Dia da semana: Sábado.
Saudação: Odoiá
Sincretismo: Nossa Senhora da Glória no Rio de Janeiro no dia 15/08, Nossa Senhora dos Navegantes no Rio Grande do Sul; Nossa Senhora das Candeias, da Purificação, na Bahia, no dia 02/02; Nossa Senhora da Imaculada Conceição em São Paulo no dia 8 de dezembro
Cor: Azul claro e cristal
Contas: cristal e alguns tons de azul claro.
Símbolos: Um leque chamado abebé contendo uma sereia, lua minguante, peixe.
Elemento: Água.
Algumas ervas: Folha de alfazema, folha de colônia, pariparoba, pata de vaca, rosas, palmas, crisântemos todos brancos.
Animais: Peixe de água salgada, cabra
Domínios: Oceanos.
Particularidade: Trabalha igualmente com todos acolhendo-os, fortalecendo-os, trazendo esperança. Iemanjá "cria" a todos, desempenhando função de uma grande mãe.
Características: Generosa, caridosa, acolhedora, serena, possessiva.
Equivalências: Tarot - Carta n.º 3 - A Imperatriz, Baralho Cigano - Carta n.º 3 - O Navio
Sincretismo

Existe um sincretismo entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. Em alguns momentos, inclusive festas em homenagem as duas se fundem.
No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes como Iemanjá tem sua data festiva no dia 2 de fevereiro. Costuma-se festejar o dia que lhe é dedicado, com uma grande procissão fluvial.
Uma das maiores festas ocorre em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, devido ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes. No mesmo estado, em Pelotas a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas. Antes do encerramento da festividade católica acontece um dos momentos mais marcantes da festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Pelotas, que em 2008 chegou à 77ª edição. As embarcações param e são recepcionadas por umbandistas que carregavam a imagem de Iemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por várias pessoas.
No dia 8 de dezembro, outra festa é realizada à beira mar baiana: a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Esse dia, 8 de dezembro, é dedicado à padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição da Praia, sendo feriado municipal em Salvador. Também nesta data é realizado, na Pedra Furada, no Monte Serrat em Salvador, o presente de Iemanjá, uma manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais à Rainha do Mar - também conhecida como Janaína.
Na capital da Paraíba, a cidade de João Pessoa, o feriado municipal consagrado a Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezembro, é o dia de tradicional festa em homenagem a Iemanjá. Todos os anos, na Praia de Tambaú, instala-se um palco circular cercado de bandeiras e fitas azuis e brancas ao redor do qual se aglomeram fiéis oriundos de várias partes do Estado e curiosos para assistir ao desfile dos orixás e, principalmente, da homenageada. Pela praia, encontram-se buracos com velas acesas, flores e presentes. Em 2008, segundo os organizadores da festa, 100 mil pessoas compareceram ao local.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

SARAVÁ A IBEJADA










Acta e Passio, nomes verdadeiros de Cosme e Damião, foram irmãos – acredita-se que eram gêmeos – nascidos na Arábia no século IV. Desde muito jovens os irmãos tiveram tendências para a medicina, chegando a exercê-la quando adultos. Muitas fontes afirmam que eles estudaram medicina, outras apenas que eles a praticaram, mas todas afirmam que os irmãos não cobravam por isso. Com pais cristãos, usavam a cura como mecanismo de evangelização e caridade, levando aos doentes as palavras e ensinamentos cristãos.



Por conta de seus conhecimentos científicos aliados à fé e aos ensinamentos, suas curas eram vistas como milagres. Por esse motivo, foram perseguidos e assassinados por ondem do imperador Diocleciano – um grande perseguidor da doutrina cristã da época, por feitiçaria e associações com o demônio.



Com sua morte os gêmeos se tornaram mártires e mais tarde santos, sendo nomeados pela Igreja Católica como São Cosme (que significa “o enfeitado”) e São Damião (“o popular”), num dia 27 de setembro, data em que se comemora o seu dia. Por associação, são os santos protetores dos médicos, farmaceuticos, gêmeos e crianças (nenhuma fonte é exata ao justificar esse último, dizem apenas que eles eram bons com as crianças).



Sincretismo

“São Cosme mandou fazer / uma camisinha azul. No dia da festa dele / São Cosme quer carurú.”



Na Bahia, principal região onde a cultura africana está mais presente, católicos e tantas outras vertentes religiosas comemoram o dia de Cosme e Damião com uma comida típica originária da África e das religiões que cultuam os orixás, o carurú. Quando se faz o “carurú de santo”, é de costume convidar “sete meninos” – sete crianças normalmente desconhecidas e convidadas na rua mesmo, de última hora – que são servidos antes de todo mundo.



No sincretismo religioso Cosme e Damião são os orixás Ibeji, filhos gêmeos de Xangô e Iansã, divindades protetoras do parto duplo, amigos das crianças e responsáveis por agilizar qualquer pedido em troca de doces – daí um outro costume que é o de distribuir doces para crianças no dia 27 de setembro. Os sete meninos representam os gêmeos e seus 5 irmãos: Doum, Alabá, Crispim, Crispiniano e Talabi.





ORAÇÃO À SÃO COSME E SÃO DAMIÃO

( SARACÁ A TODAS AS CRIANÇAS)






São Cosme e São Damião, que por amor a Deus e ao próximo vos dedicastes a cura do corpo e da alma de vossos semelhantes. Abençoai todos os médicos e farmaceuticos, medicai meu corpo na doença e fortalecei a minha alma contra todo mal.


Que vossa inocencia e simplicidade, acompanhe e proteja todas as crianças. Que a alegria da consciencia tranquila , que sempre vos acompanhou repouse também em meu coração.


Que a vossa proteção São Cosme e São Damião, conserve meu coração simple e sincero, para que as palavras de Jesus, também sirvam para mim:


"Deixai vir a Mim os pequeninos, porque deles é o Reino dos Céus."


Ah São Cosme e São Damião, rogai por todos nós.


Amém

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

OGANS NA UMBANDA




Na Umbanda os Ogans são naturalmente os tocadores de atabaque, ou simplesmente “Tabaqueiros”, são elementos de extrema importância e confiança do líder espiritual da casa. O Ogan de Umbanda, é por excelência um Pai espiritual, pois normalmente são exímios conhecedores das rezas e fundamentos de cada orixá. Durante os trabalhos, sabem a hora exata de se entoar cada canto, seja ele para limpeza de um médium, ou seja para fortalecimento do terreiro.

É imprescindível salientarmos que, a Umbanda possuí ensinamentos e fundamentos específicos para a formação e fortalecimento do Ogan, enquanto parte de um corpo sacerdotal, no entanto, notamos que a falta do conhecimento em muitos casos, fazem com que o cargo ou título em questão, tenha um sentido menos valorativo em relação aos demais dentro de um terreiro, o que não é verdade!, Pois o dom, é uma dádiva de Deus, não é imposto, ele nasce com o homem.

Os fundamentos litúrgicos em relação à formação do Ogan de Umbanda, são apenas atos que confirmam o que Deus já consagrou, no entanto, a ausência destes atos na vida do Ogan, em nada diminui sua importância enquanto sacerdote, apenas deixa em aberto alguns fundamentos de suma importância para o seu crescimento espiritual, e de auto valorização do Ogan de Umbanda.

É preciso esclarecer que, ser Ogan, é ser detentor de um privilegio de poucos, é ser um sacerdote específico de louvor aos orixás, é ser responsável pela alegria e vibração positiva do terreiro, responsabilidade que não se atribuí em igualdade litúrgica aos médiuns de corrente, aos quais são atribuídas outras responsabilidades dentro da linha doutrinária de cada terreiro.

Meus amados tratem com carinho e devoção seus Ogans, pois são eles que de alguma forma, fazem com que os caminhos á serem trilhados dentro da religião, seja menos penoso, mais alegre e muito mais feliz.



CURIMBA E ATABAQUE




Curimba é o nome que os guias dão aos cantos sagrados dentro de um terreiro de Umbanda. São eles que percutem os atabaques (instrumentos sagrados de percussão), assim como conhecem cantos para as muitas “partes” de todo o ritual umbandista.

Esses pontos cantados, junto dos toques de atabaque, são de suma importância no decorrer da gira e por isso devem ser bem fundamentados, esclarecidos e entendidos por todos nós.

Muitas são as funções que os pontos cantados têm. Primeiramente uma função ritualística, onde os pontos “marcam” todas as partes do ritual da casa. Assim temos pontos para a defumação, abertura das giras, bater cabeça, etc.

Temos também a função de ajudar na concentração dos médiuns. Os toques assim como os cantos envolvem a mente do médium, não a deixando desviar – se do propósito do trabalho espiritual.

Além disso, a batida do atabaque induz o cérebro a emitir ondas cerebrais diferentes do padrão comum, facilitando o transe mediúnico.

Esse processo também é muito utilizado nas culturas xamânicas do mundo afora.

As ondas energéticas – sonoras emitidas pela curimba, vão tomando todo o centro de Umbanda e vão dissolvendo formas – pensamento negativas, energias pesadas agregadas nas auras das pessoas, diluindo miasmas, larvas astrais, limpando e criando toda uma atmosfera psíquica com condições ideais para a realização das práticas espirituais.

A curimba transforma-se em um verdadeiro “pólo” irradiador de energia dentro do terreiro, potencializando ainda mais as vibrações dos Orixás.

Os pontos transformam-se em “orações cantadas”, ou melhor, verdadeiras determinações de magia, com um altíssimo poder de realização, pois é um fundamento sagrado e divino. Poderíamos chamar tudo isso de “magia do som” dentro da Umbanda. A Curimba também é de suma importância para a manutenção da ordem nos trabalhos espirituais, com os seus pontos de “chamada” das linhas, “subida”, “firmeza”, “saudação”, etc.

Os atabaques são uma firmeza da casa,pois eles podem 'radiar' a força espiritual.Pois o som que sai deles podem 'radiar' nossas mentes,os guias danção e lovão ao som dos atabaques.

Entendam bem, os guias não são chamados pelos atabaques como muitos dizem. Todos já encontram-se no espaço físico - espiritual do terreiro antes mesmo do começo dos trabalhos. Portanto a curimba não funciona como um “telefone”, mas sim como uma sustentadora da manifestação dos guias.

O que realmente invoca os guias e os Orixás são os nossos pensamentos e sentimentos positivos vibrados em vossas direções. Muitas vezes ao cantar expressamos esses sentimentos, mas é o amor aos Orixás a verdadeira invocação de Umbanda.

A mulher no Candomblé não toca atabaque, por alguns dogmas da religião, principalmente em relação à menstruação.

Na Umbanda não importamos dogmas e conceitos do candomblé, mas sim seguimos os nossos, passados diretamente pelos nossos guias e mentores.





segunda-feira, 15 de agosto de 2011

VII ENCONTRO DE MÉDIUNS E CURIMBAS DA FENUG

EXU

EXU - O MENSAGEIRO


Para que os seres humanos possam viver bem neste mundo, é preciso estar bem com os deuses. Por isso os homens propiciam os orixás, oferecendo-lhes um pouco de tudo o que produzem e que é essencial à vida. As oferendas dos homens aos orixás devem ser transportadas até o mundo dos deuses, o Orum. O orixá Exu tem esse encargo de transportador. Também é preciso saber se os orixás estão satisfeitos com a atenção a eles dispensada pelos seus descendentes, os seres humanos. Exu propicia essa comunicação, traz suas mensagens, é o mensageiro. É fundamental para a sobrevivência dos mortais receber as determinações e os conselhos que os orixás enviam do Aiê. Exu é o portador das orientações e ordens, é o porta-voz dos deuses e entre os deuses. Exu faz a ponte entre este mundo e o mundo dos orixás, especialmente nas consultas oraculares. Como os orixás interferem em tudo o que ocorre neste mundo, incluindo o cotidiano dos viventes e os fenômenos da própria natureza, nada acontece sem o trabalho de intermediário do mensageiro e transportador Exu. Nada se faz sem ele, nenhuma mudança, nem mesmo uma repetição. Sua presença está consignada até mesmo no primeiro ato da Criação: sem Exu, nada é possível. O poder de Exu, portanto, é incomensurável.

 
O sacrifício é o meio através do qual os humanos se dirigem aos orixás, e o sacrifício significa a reafirmação dos laços de lealdade, solidariedade e retribuição entre os habitantes do Aiê e os habitantes do Orum. Sempre que um orixá é interpelado, Exu também o é, pois a interpelação de todos se faz através dele. É preciso que ele receba a oferenda, sem a qual a comunicação não se realiza. A relação homem-orixá tem como fundamento a materialidade do sacrifício, a concretude da oferenda. Isso é uma definição religiosa, um ponto de partida essencial na concepção africana do sagrado. A própria possibilidade do homem professar a sua religião de orixás — seja na África, no Brasil, ou noutro lugar — depende, pois, do trabalho de Exu.




Como mensageiro dos deuses, Exu tudo sabe; não há segredos para ele, tudo ele ouve e tudo ele transmite. E pode quase tudo, pois conhece todas as receitas, todas as fórmulas, todas as magias. Exu trabalha para todos, não faz distinção entre aqueles a quem deve prestar serviço por imposição de seu cargo, o que inclui todas as divindades, mais os antepassados e os humanos. Exu não pode ter preferência por esse ou aquele. Mas talvez o que o distingue de todos os outros deuses é seu caráter de transformador: Exu é aquele que tem o poder de quebrar a tradição, pôr as regras em questão, romper a norma e promover a mudança. Não é, pois, de se estranhar que seja temido e considerado perigoso, posto que se trata daquele que é o próprio princípio do movimento, que tudo transforma, que não respeita limites. Assim, tudo o que contraria as normas sociais que regulam o cotidiano passa a ser atributo seu. Exu carrega qualificações morais e intelectuais próprias do responsável pela manutenção e funcionamento do status quo, inclusive representando o princípio da continuidade garantida pela sexualidade e reprodução humana, mas ao mesmo tempo ele é o inovador que fere as tradições, um ente portanto nada confiável, que se imagina, por conseguinte, ser dotado de caráter instável, duvidoso, interesseiro, turbulento e arrivista.




Para um iorubá ou outro africano tradicional, nada é mais importante do que ter uma prole numerosa, e para garanti-la é preciso ter muitas esposas e uma vida sexual regular e profícua. É preciso gerar muitos filhos, de modo que, nessas culturas antigas, o sexo tem um sentido social que envolve a própria idéia de garantia da sobrevivência coletiva e perpetuação das linhagens, clãs e cidades. Exu é o patrono da cópula, que gera filhos e garante a continuidade do povo e a eternidade do homem. Nenhum homem ou mulher pode se sentir realizado e feliz sem uma numerosa prole, e a atividade sexual é decisiva para isso. É da relação íntima com a reprodução e a sexualidade, tão explicitadas pelos símbolos fálicos que o representam, que decorre a construção mítica do gênio libidinoso, lascivo, carnal e desregrado de Exu-Elegbara.




Isso tudo contribuiu enormemente para modelar sua imagem estereotipada de orixá difícil e perigoso, que os cristãos, erroneamente, reconheceram como demoníaca. Quando a religião dos orixás veio a ser praticada no Brasil do século xix por negros que eram também católicos, todo o sistema cristão de pensar o mundo em termos do bem e do mal deu um novo formato à religião africana, no qual Exu veio a desempenhar outro papel. A visão “cristã” dos orixás confundiu Oxalá com Jesus, Iemanjá com Nossa Senhora, e outros santos católico com os demais orixás. Para completar o panteão afro-católico, sobrou para Exu ser confundido com o Diabo. Foi, portanto, o sincretismo católico que deu a Exu a identidade de um demônio. Mas essa identidade destorcida sempre foi católica, cristã, sincrética. Não tem nada de africana.




Pensam os que se acostumaram a ver os orixás numa perspectiva cristã (imposta pelo catolicismo e hoje reforçada pelo evangelismo) que Exu deve ser homenageado em primeiro lugar para não provocar confusão, para não bagunçar a cerimônia, como se ele fosse um simples e oportunista arruaceiro. É uma visão bem simplista e demasiadamente falsa. Ora, Exu é antes de tudo movimento e nada pode acontecer sem ele, nem mesmo em pensamento, sem movimento. Nada pode, portanto, se dar sem a interferência de Exu. Por isso ele é sempre o primeiro a ser homenageado: é preciso permitir o movimento para que o evento, seja ele qual for, se realize, seja para o bem ou para o mal. Esse movimento não é dotado de moralidade, nem poderia ser, pois se assim fosse o mundo ficaria paralisado. A vida é um pulsar permanente, e em cada passo, em cada avanço ou retrocesso, em cada mudança, enfim, Exu está presente. Tudo começa por ele; por isso ele será sempre o primeiro.









OBALUAÊ - ORIXÁ DA CURA


Orixá da renovaçao dos espíritos decaídos




Obaluae na Umbanda e um Orixá da renovaçao dos espíritos decaídos, resgatador da suas dívidas cármicas, na manifestação de Omulu trabalha como ceifador dos erros, ou seja, é o senhor dos mortos e o regente dos cemitérios considerado o campo santo entre o mundo terrestre material e o mundo astral espiritual, trabalhando com muito amor na guia destes espíritos, tendo como servo exu caveira o guardião dos cemitérios. Obaluaie é o mistério da irradiação que plasma o espirito desencarnado em vias de reencarne, amoldando-o para o útero materno, propiciando assim uma nova via evolutiva. Obaluae é o senhor das doenças podendo curar uma pessoa de uma doença.Na gíra de caboclos pode ser chamado de "caboclo do fogo" e quando entra nos terreiros da umbanda sua cabeça sempre tem que ser coberta,pois,obaluae tinha muitos feridas e cobria seu rosto com palha para que ninguem podesse ver as feridas. Diz uma lenda africana que ele estava em uma festa e ninguém queria dançar com ele sabendo de suas feridas até que Iansã veio até ele levantou a palha de seu rosto e com sua ventarola provocou um vento tão forte que as feridas de obaluae sairam do corpo dele se transformando em pipoca.
 



PRECE PARA OMULU

Salve o Senhor o Rei da Terra!

Médico da Umbanda, Senhor da Cura de todos os males do corpo e da alma.

Pai da riqueza e da bem-aventurança.

Em ti deposito minhas dores e amarguras, rogando-te as bênçãos de saúde, paz e prosperidade.

Faz-me, Senhor do trabalho; um filho de bom ânimo e disposição, para triunfar na luta pela sobrevivência.

Faz-me digno de merecer todo dia e toda noite, vossas bênçãos de luz e misericórdia.



ATOTÔ

ATOTÔ OBALUAUÊ!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

OXOSSI

OXOSSI





Quem é Oxossi



Oxóssi é o Orixá da caça, do verde, das matas, é o Orixá da fartura, o grande caçador é ele quem traz para o homem as plantas curativas. De natureza telúrica vibra sobre tudo que nasce sobre a terra, exceto as plantas tóxicas e venenosas.



É um vencedor, traz para o povo a sobrevivência , a fartura, a cura das doenças pela natureza, a saúde plena.



O povo da Bahia ligou Oxóssi a São Jorge, festejado em 23 de abril. No Rio de Janeiro, em São Paulo e no sul do País ele foi sincretizado com São Sebastião e seu dia é 20 de janeiro. Seu dia é a quinta feira, sua cor é o verde misturado ao branco. Podemos estabelecer uma associação entre Oxóssi e Mercúrio, o Deus romano do comércio, bem como seu correspondente grego Hermes. Todos eles representam mudanças, o movimento, tudo o que é novo e vibrante. Ligado as alterações mentais e físicas, Oxóssi é o constante movimento da natureza, que está sempre em evolução.



A liberdade e a independência são importantes para seus filhos que prezam muito sua autonomia e são infelizes quando tolhidos. Um aspecto negativo de sua personalidade é a sua indiscrição em relação as outros e a vida alheia.



Pela sua conotação mercuriana Oxóssi pode ser associado ao Arcano II do Tarô, os Enamorados. “A primeira relação que pode ser estabelecida refere-se a uma prova vencida, àquele que foi testado e conseguiu provar seu valor, encontrando dentro de si a força para enfrentar a dúvida:” sou ou não capaz?”. Inconstante muda muito de interesse e tem tendência a se deixar seduzir pela novidade. O conflito que o Arcano indica acima refere-se muito mais as decisões emocionais do que materiais. Seus filhos envolvem-se com suas emoções e transformam-se através delas. Tem o dom da comunicação, suas mudanças são discutidas, analisadas a nível consciente e realizam a cura de seu ego ambíguo.



O Físico e o Temperamento



Seus filhos são alegres e joviais, muito falantes, nervosos e inseguros ,embora não transmitam essas emoções, pelo contrário sua companhia é agradável e estimulante. A simpatia que ele irradia faz com que sempre esteja rodeado por um grupo ativo e dinâmico. Místicos e intuitivos, são dotados de notável rapidez mental, gostam de ouvir conselhos e orientações, mas esquecem tudo na hora de agir, torna-se então precipitado e sem lógica por vezes indeciso, acompanhá-lo não é fácil.



Tem muitos amigos, mas não gosta de intimidade excessiva, é amável e acolhedor, mas reserva-se bastante. Deixa-se levar por elogios, o que lhe traz alguns dissabores, fala e escreve muito bem, exímio coordenador de atividades, distribui bem as tarefas de cada um, só que para ele nunca sobra nada para fazer embora pareça ser o mais ativo de todos. É inventivo e original em seus planos, é astuto e sagaz, mas também é impaciente com os lentos, com os calmos e reflexivos, deixando para trás aqueles que não acompanham seu ritmo ativo. Movimento e mudanças são uma constante para ele, suas idéias mudam quando menos se espera,nada está estabelecido, tudo é passível de sofrer alterações. Aprecia discussões pelo prazer de vencer intelectualmente idéias opostas as suas, é afetuoso generoso e sensível, mas atitudes apaixonadas e ardentes não fazem parte deste arquétipo, ele se interessa mais pelos aspectos intelectuais em suas relações. A monotonia entedia o filho de Oxossi, que precisa sempre ser estimulado, esses estímulos são trazidos pelas inovações e mudanças, assim ele consegue manter-se interessado e produzir. Como é um pensador independente tem dificuldade em aceitar opiniões diferentes das suas, trabalhar em equipe é desgastante se tiver que enfrentar conflitos constantes.



Amor e Casamento



Muito sentimentais, os filhos de Oxóssi precisam do conforto do amor, mas quando se envolve e percebe que sua liberdade fica comprometida recua assustado, mas quando bem harmonizado intelectualmente, e sentindo-se livre mantém-se num relacionamento estável. Provavelmente, quem inventou o casamento em casas separadas foi um filho de Oxóssi . Sua personalidade independente exige que ele tenha um canto só seu onde nada e ninguém o perturbe, ali ele se reequilibra e recupera seu delicado sistema nervoso, ele é como o mercúrio: ele desliza, é difícil mante-lo estável , quando é comprimido foge e se divide, só pode ser controlado, nunca pressionado. É atraído pela beleza, pelo otimismo, pela inteligência e pelo bom humor. Aprecia que seu companheiro tenha interesses diversos dos seus, sente-se então enriquecido pelas experiências que lhe são relatadas, os desafios em conjunto o fascinam, já uma pessoa rígida com poucos objetivos pessoais o entedia. A vida familiar pode ser uma boa base para o filho de Oxóssi, desde que seja estimulado em suas idéias e tenha livre expressão o convívio com a família será revigorante para ele. Os assuntos secretos, o ocultismo e o esoterismo o atraem, um relacionamento cármico será possível para ele, pois está aberto a reconhecê-lo em todos os níveis, tirando dele o aprendizado necessário. A vida amorosa não tem para ele a mesma importância que para os filhos de outros Orixás. Com o tempo alguns podem até decidir se tornarem celibatários por convicção.



Trabalho e Dinheiro



O filho de Oxóssi tem aptidões múltiplas, gosta do estímulo mental constante e procura sempre novidade no que faz, essas características norteiam sua vida profissional. Quando tem um projeto em andamento, sua atividade redobra e é capaz de gastar muita energia para desenvolvê-lo. O esgotamento que a dedicação intensa ao trabalho provoca é capaz de afetar seu sistema nervoso sensível.



O filho deste Orixá precisa aprender que para construir uma carreira bem sucedida é preciso que ele seja prático no seu idealismo, essa realidade é às vezes um pouco difícil de ser encarada por ele. O perfeccionismo, a minuciosidade e a imaginação que põe em seu trabalho faz com que seja o melhor em sua especialidade. Responsabilidades monótonas e burocráticas deprimem o seu espírito, ele está melhor situado em um trabalho onde puder traçar planejamentos e realizar mudanças. Toma decisões rapidamente é e bom para enfrentar crises, mas distraído com pequenos detalhes.



Saúde



O sistema nervoso do filho de Oxóssi é muito sensível, é o primeiro a refletir o seu desequilíbrio físico. A insônia é um problema pra esse filho, pois impede que repouse seu cérebro ativo como deveria, ele raramente consegue dormir o necessário. Acidentes, ferimentos, contusões, pancadas que atingem seus ombros, braços, mãos e dedos são freqüentes, bem como danos às pernas e aos pés. Os pulmões, intestinos e o estomago são órgãos que costumam apresentar alguma fragilidade. Artrite e o reumatismo também podem afligir a saúde dos filhos de Oxóssi.



O homem de Oxóssi



Pouco conservador possui múltiplos interesses não analisa qualquer assunto por um tempo maior, sua atuação seria, partindo do interesse que algo lhe provoca, observar, emitir um conceito próprio e ir adiante, atrás de novidade. Não consegue se deter tempo suficiente para conhecer profundamente algum assunto,mais conhece um pouco de tudo. Gosta de companhia, faz parte do seu temperamento alegre. As crianças o adoram, dá bastante liberdade e as estimula a variar a suas atividades, embora seja falho no lado disciplinar. Não é ciumento e não quer ser alvo de ciúmes nem quer que sua liberdade seja tolhida por causa dele, alguns filhos de Oxóssi com problemas emocionais e profissionais passam por períodos de depressão, pode ser vitima de tramas traiçoeiras e pode ter atos e palavras mal interpretados.



Mulher de Oxóssi



A filha de Oxóssi é uma intelectual, embora administre bem o seu lar passa pouco tempo dentro dele, prefere o ambiente profissional ou a vida em sociedade. O homem que se casa com essa mulher casa com muitas mulheres diferentes ao mesmo tempo, pode surpreender sempre é criativa divertida, curiosa por qualquer novidade, fiel e dedicada, variar é seu ponto forte a parte física de uma relação é a que menos interessa a mulher de Oxóssi ela se aproxima de alguém que a atraia mental e espiritualmente. Gosta de discutir é muito temperamental é petulante e fala para ferir quando está brigando. Como mãe é maravilhosa. Ensinara os filhos a independência, será imaginativa e amorosa e organizara para eles muitas atividades estimulantes . A traição não está na natureza da filha de Oxóssi ela já mais sacrificaria lar e filhos por uma aventura.




sábado, 18 de setembro de 2010

VI ENCONTRO DE MÉDIUNS E CURIMBAS


CONVITE

 

VI ENCONTRO DE MÉDIUNS E CURIMBAS



REALIZAÇÃO FENUG



DIA 2 DE NOVEMBRO DE 2010



A PARTIR DAS 12:00HS



LOCAL: TEATRO ADAMASTOR



AVENIDA MONTEIRO LOBATO, CENTRO - GUARULHOS



Devido a grande procura, as inscrições para participação estão encerradas.




Mas todos estão sendo esperados para assistir ao EVENTO.



Desde já agradecemos e contamos com a presença de todos.

Atenciosamente Cláudia





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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Prece a Oxossi

PRECE À OXOSSI


Oh! Caçador, Guerreiro de uma única flecha. Rei das Matas, Rei da Umbanda. Pai da inspiração e da esperança, daí-nos as bençãos da prosperidade e inspirai-nos os pensamentos do bem.
Ajuda-nos no sustento da nossa fé; a fim que possamos cumprir com nossas obrigações e nossos deveres neste mundo.
Indica-nos com sua flexa sagrada os verdadeiros caminhos da prosperidade.
Okê, Arô!
Okê, Odé!
Bambi ô Clim
Oxossi.


ORAÇÃO AO PAI OXOSSI

Vós que recebestes de Oxalá o domínio das matas, de onde tiramos o oxigênio necessário à manutenção de nossas vidas durante a passagem terrena, inundai os nossos organismos com a vossa energia, para curar nossos males!
Vós que sois o protetor dos Cablocos, dai-lhes a vossa força, para que possam nos transmitir toda a pujança, a coragem necessária para suportarmos as dificuldades a serem superadas.
Dai-nos a paz de espirito, a sabedoria para que possamos compreender e perdoar aqueles que procuram nossas casas, nossos guias, nossos guardiões, apenas por simples curiosidade, sem trazerem dentro de si o mínimo de fé.
Daí-nos paciência para suportar aqueles que se julgam os únicos com problemas e desejam merecer das entidades todo o tempo e atenção possível, esquecendo-se de outros irmãos mais necessitados.
Daí-nos tranquilidade para superarmos todas as ingratidões, todas calúnias.
Daí-nos a coragem para transmitir uma palavra de alento e conforto aqueles que sofrem de enfermidades para quais, na matéria, não haja cura!
Daí-nos força para repelir aqueles que desejam vingança e querem a todo custo magoar seus semelhantes!
Dai-nos, enfim, a vossa proteção e a certeza de que quando um caboclo, num gesto de humildade, baixar entre nós, ali estar´a vossa vibração!
Assim Seja!
Okê, Odé!
Okê, Arô!
Bambi ô Clim
Oxossi!

sábado, 24 de julho de 2010

UMBANDA È A MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO PARA A CARIDADE!


SURGE UMA NOVA ERA
Em 15 de Novembro de 1908. Compareceu a uma sessão a “Federação Espírita em Niterói”, um jovem de 17 anos, pertencente a tradicional família fluminense. Chamava-se Zélio de Morais e restabelecera-se, dias antes, de moléstia cuja origem os médicos haviam tentado, em vão, identificar. Sua recuperação inesperada causara surpresa. Nem os doutores, nem os tios, sacerdotes católicos, haviam encontrado explicação plausível.A família atendeu, então, à sugestão de um amigo que se ofereceu para acompanhar o jovem à Federação Espírita.O Dirigente dos trabalhos, José de Souza, convidou-o a participar da mesa. No decorrer da reunião, Zélio sentiu-se tomado por uma força estranha e ouviu sua própria voz perguntar: porque não eram aceitas as mensagens dos Índios e Caboclos, e, se eram eles considerados atrasados apenas pela cor e pela classe social que declinavam.Seguiu-se um diálogo acalorado, no qual os dirigentes da mesa procuravam doutrinar o Espírito desconhecido, que mantinha segura argumentação.Finalmente, um dos videntes pediu que a entidade se identifica-se, já que lhe parecia envolvida numa áurea de luz.Se queres um nome, respondeu involuntariamente Zélio, que seja este: CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, porque não haverá caminhos fechados para mim. E prosseguindo, anunciou a missão que trazia: Estabelecer um culto no qual os espíritos de índios e Negros escravos pudessem cumprir a determinação do astral: que teria como nome UMBANDA.E que não vinha só: dizia também: comigo a verdadeira Legião do Plano Astral, que tem como missão, ajudar a restituir a paz no mundo na “ERA DA REGENERAÇÃO”.Muitos foram os comentários dos menos esclarecidos, vejam só que garoto ousado, precisamos tomar cuidado com os espíritos mistificadores, que ousadia um espírito dessa natureza, dizendo em renovar a face da Terra, e reequilibrar os preconceitos e a desigualdade dos povos; devemos tomar muito cuidado.Mas, hoje podemos ver que o garoto não era ousado, e tão pouco, o Espírito mistificador, a religião foi tomando corpo e só no Brasil, já agrega 30 milhões de seres humanos.No seu meio há alguns problemas, bem o sabemos, todas as Entidades já nos haviam advertido sobre isto, mas, uma coisa é certa, se há problemas são apenas gerados pelos frutos da ignorância e muito pouco pelo da maldade.Tudo foi previsto. Os clamamentos, as regras morais e disciplinas, as pequenas confusões, etc, etc..
No dia seguinte, 16 de Novembro, na residência do jovem médium, na rua Floriano Peixoto, 30, em Neves, realizou-se a primeira sessão desse culto, ao qual a Entidade reafirmou o nome de UMBANDA. Estavam presentes quase todos os membros da Federação Espírita, para verificar a veracidade do que fora declarada na véspera, os amigos da família surpreendidos e incrédulos, um grande número de desconhecidos, enfermos, alijados, que ninguém saberia dizer como havia tomado conhecimento do que se passava. E muitos deles, ao final da reunião, estavam curados.
Vamos fazer um breve parênteses para focalizar um assunto que tem dado margem a controvérsias: o emprego do vocábulo UMBANDA.
Diz Matta e Silva, no Livro “UMBANDA DO BRASIL”.
Esta complexa mistura, que o leigo chama macumba, baixo espiritismo, magia negra, envolvendo práticas fetichistas e barulhentas, em pleno século XX, era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado pelo Astral Superior, feito pelos espíritos que se apresentaram como Caboclos, Pretos Velhos e Crianças. Em meio as práticas confusas, desordenados, fez-se imprescindível um movimento, dentro desses cultos, ou de usa massa de adeptos, lançado através da mediunidade, pelos Caboclos, pretos Velhos e Crianças, com o nome de UMBANDA.


O termo UMBANDA que eles implantaram no meio ambiente, para servir de bandeira a essa corrente poderosa é um termo litúrgico, sagrado, vibrado, que significa, num sentido mais profundo, “O CONJUNTO DAS LEIS DE DEUS”,.O termo UMBANDA foi implantado, há pouco mais de 70 anos pelos Espíritos que se apresentam como Caboclos, pretos Velhos e Crianças”.


Emanuel Zespo escrevia em 1953 (“Codificação da Lei de Umbanda”, 2º. Volume) “O movimento Umbandista no Brasil esta apenas em sua quarta década”.


No “Pequeno Dicionário de Umbanda”, publicado em 1956, com o seu nome verdadeiro, Paulo Menezes diz: durante quase onze anos, estudamos, de lápis em punho, as mirongas do rito Umbandista: assisti o nascimento do “Jornal de Umbanda”, escutamos a história da Umbanda, na voz de José Álvares Pessoa, privamos com o mais antigo médium de Umbanda: Zélio de Moraes ““.Lembremos, também, o livro de João do Rio, publicado em 1904, onde descreve todos os cultos e seitas e cujas práticas assistiu, não citando uma vez, o termo Umbanda.
Diz também, o livro “UMBANDA ATRAVÉS DOS SÉCULOS”, de Aluízio Fontenelle que UMBANDA que dizer “A LUZ DE DEUS”, em pesquisas feitas no ARQUEÔMETRO.
Mas, voltemos a 16 de novembro de 1908:A entidade manifestou-se e determinou as normas do culto, cuja prática seria denominada “sessão” e se realizaria à noite, das 20 às 22 horas, para cura de enfermos, passes e recuperação de obsediados.
O uniforme a ser usado pelos praticantes, inteiramente branco.
O atendimento público totalmente gratuito.
Os cânticos não seriam acompanhados de atabaques, nem de palmas ritmadas.
Fundava-se assim, o primeiro Templo oficializado ao culto de UMBANDA, com o nome de “TENDA ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA PIEDADE”, porque nas palavras da Entidade assim como Maria acolhe em seus braços o filho, assim a Tenda acolheria os que nas horas de aflição, a ela recorresse.
Através de Zélio de Moraes, além do Caboclo das Sete Encruzilhadas, manifestou-se um preto Velho, Pai Antônio, para a cura de enfermos.
Cinco anos mais tarde, apresentou-se outra Entidade, o Orixá Malê, para tratar dos obsidiados e combater trabalhos de magia negra.
A figura de Cristo centralizava o culto. Sua Doutrina de perdão, de Amor, de caridade, era a diretriz dessa Religião, que falava de perto aos corações humildes, anulando preconceitos, nivelando o doutor e o operário o general e o soldado, a senhora e a sua serviçal.
Daí em diante, a casa de Zélio de Morais a passou a ser meta dos crentes, descrente, enfermos e curiosos.
Os enfearmos, eram curados. Os descrentes assistiam provas irrefutáveis.
Os curiosos constatavam a presença de uma força superior. E os crentes aumentavam dia a dia.
A retribuição monetária pelos trabalhos de cura de enfermos e obsediados não era admitida, em mesmo sob a forma de presentes.
Médiuns que, por receberem entidades que se apresentavam como Caboclos, Pretos Velhos e Crianças, eram recusados em centros espíritas, aderiram ao novo culto. Houve manifestações espontâneas de mediunidade.
E, deu-se a recuperação imediata de enfermos, cuja doença considerada mental, nada mais era do que manifestação mediúnica.
Mais tarde, iniciaram-se as aulas doutrinárias para o preparo dos Médiuns, que iriam dirigir os sete que o Caboclo das Sete encruzilhadas deveria fundar, como segunda etapa da sua missão.
Tenda Nossa Senhora da Conceição, Tenda Nossa Senhora da Guia, Tenda Santa Bárbara, Tenda São Pedro, Tenda Oxalá, Tenda São Jorge, Tenda São Jerônimo, com Leal de Souza, com Durval de Souza, com João Aguiar, com João Meireles, com Paulo Lavois, com João Severiano Ramos, com José Pessoa e Aniro M. Batista, médium do Caboclo da Lua, respectivamente.
Centenas de Templos foram depois fundados sob a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas, no Estado do Rio, em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Pará e Rio Grande do Sul. Sempre que possível Zélio participava pessoalmente da instalação; quando o seu trabalho material não o permitia, enviava médiuns capacitados para organizarem e dirigirem as novas casas.
O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca determinou sacrifício de aves ou animais para fortalecer o poder do médium, nem homenagear entidades, e também, jamais promoveu alguma noite da cachaça e orgia, ou coisa parecida .

O preparo mediúnico baseava-se na Doutrina, no ensinamento de normas evangélicas. A água e as ervas eram os elementos ritualísticos usados através de amacis, banhos e defumadores, pois, a UMBANDA também é Doutrina baseada nas Forças da natureza.
O Evangelho era a base, do ensinamento da entidade que recomendava, como lembrete constante do que é necessário para a prática correta e leal da mediunidade:
Não ter vaidade; Manter elevado padrão moral; proceder corretamente dentro e fora do Templo; Prestar socorro espiritual gratuitamente a todos que, dele necessitando, recorram ao médium; Não aceitar retribuição monetária pelos trabalhos. A única retribuição deve ser a certeza do dever cumprido.
A UMBANDA nos ensina a crer:
Num Deus único e absoluto; Nos Orixás, Forças Superiores que atuam nos vários campos da revelação e chegam até nós através de seus Mensageiros os Guias trabalhadores dos terreiros de Umbanda; Na Reencarnação, à volta do Espírito sucessivamente ao corpo físico, para se aprimorar, Na Lei de Causa Efeito, que nos dá a colheita correspondente ao que semeamos; No Amor ao próximo, base da Fraternidade Universal.
A UMBANDA indica-nos o caminho a seguir:
A Prática da mediunidade como Missão e nunca como Profissão: O Pensamento Positivo para nós mesmos e para os nossos semelhantes; a Caridade, Amor, Espírita na Palavra e na Ação.
Em 1939, o Caboclo determinou que se fundasse uma Federação, para congregar os templos umbandistas e que deveria ser o núcleo central do culto.
Essa Federação passou a denominar-se, mais tarde, União Espírita Umbandista do Brasil. Dez anos depois, surgiu o Jornal da Umbanda que durante mais de dois decênios foi um porta-voz doutrinário de grande valor.
No crescimento religioso que, a partir de 1930, tomou ainda maior vulto, nem todos os dirigentes souberam manter-se na função de missionários da espiritualidade. A vaidade, a intolerância, as tentações que a “vil moeda” , como dizia o Caboclo exerce sobre o homem, são as principais responsáveis pelo grande número de templos que usam o nome de UMBANDA, pela vibratória intensa da palavra, sem contudo, seguirem as normas estabelecidas pela Entidade, desrespeitando a verdadeira codificação elaborada em longos meses de estudo e trabalhos práticos. Nem todos souberam manter o “Slogan”: UMBANDA É A MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO PARA A CARIDADE.
Em conseqüência, o modesto uniforme branco deu lugar a vestimentas vistosas, com rendas e lamês de alto custo, sugerindo luxo e estabelecendo, indevidamente, diferenças econômicas entre os membros de uma comunidade religiosa.
A presença dos Caboclos deixou de objetivar exclusivamente a prática da Caridade, para constituir uma sessão festiva, e o conceito de “Daí de graça o que de graça recebeste”, ficou no esquecimento substituindo que foi pelos cartazes estipulando preços para “Consultas” de Pretos Velhos, Exus e das “Ciganas”...
A magia, que o Caboclo das Sete Encruzilhadas e seus auxiliares espirituais, incorporados e cônscios de sua responsabilidade, praticavam para curar, retirar obsessores, encaminhar os desviados da trilha do amor fraterno e da caridade, deu lugar à magia terra-a-terra, regada a sangue e motivada por dinheiro.A UMBANDA cresceu e difundiram-se, milhares de Templos cumprem a sua missão de caridade espiritual, outros, e em número considerável, infelizmente, desvirtuaram-na.
Mas, como foi dito antes, tudo isto já estava previsto.
Hoje, falta apenas um novo congraçamento, e a união de médiuns dirigentes de Federações e confederação num trabalho maior para se fazer cumprir na íntegra, todos os conceitos de codificação deixando por este valoroso Caboclo e todas as demais Entidade que se apresentam nos Terreiros, Cabanas e Tendas de UMBANDA, para que as profecias se cumpram, no início da nova era do terceiro milênio, “ERA DA REGENERAÇÃO”.
Era da paz, baseada nos princípios ou conceitos da HARMONIA, do AMOR, da VERDADE e da JUSTIÇA; ou ainda, como dizia o Caboclo: fazer com que todas as Tendas e Cabanas sejam um local, onde, não haja preconceitos, e os Espíritos mais sábios possam sempre continuar a ensinar os menos esclarecidos de boa vontade, com o único e exclusivo intuito, o do dever cumprido. “NA REVERÊNCIA A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS, E NO AMOR AO PRÓXIMO COMO A NÓS MESMOS”.E para tanto, não devemos jamais olvidar deste grande ensinamento: Desejam-se nos unir em mente e corpo num mesmo Trabalho, antes teremos que nos unir em espírito. Isto porque: uma vez unidos em Espírito, os corpos automaticamente já estão unidos. Pois, o ESPÍRITO sobrepõe a MATÉRIA.






Colaborou:
Marcelo N.Santos
Primado de Umbanda

Teologia Umbandista

A Teologia Umbandista contribue para o entendimento do Sagrado


As diversas tradições religiosas do planeta não deveriam ser vistas como os resquícios de uma época na qual predominava a consciência mítica e que foi superada pela ciência e pela razão. Ao contrário, o acervo representado pela cultura espiritual do planeta não aponta para um passado primitivo, mas para o futuro que desejamos de igualdade de direitos e de exercício de convivência pacífica. Portanto, o aprofundamento teórico e prático nas questões de cunho espiritual representa uma necessidade premente no momento em que enfrentamos os conflitos da sociedade pós-moderna e da era da globalização.


O planeta passa por dilemas nas esferas econômica, ambiental, social e política e a espiritualidade pode ser o paradigma que sustente as transformações requeridas para voltarmos ao equilíbrio. Por mais que vivamos o progresso tecnológico e científico, não temos sido capazes de universalizar esses bens a toda coletividade planetária. Precisamos reconhecer que os esforços das ciências e da filosofia não têm culminado na construção da justiça social. Uma das causas desse insucesso é a redução da vida ao materialismo puro da visão mecanista.


Por outro lado, aqueles que dedicam suas vidas ao desenvolvimento e propagação dos valores espirituais devem também compreender que não podemos continuar ensinando uma religiosidade desconectada do mundo real e em contradição com os achados da ciência e das novas áreas do saber humano. Devemos sim encontrar as formas de espiritualidade que sejam eficazes para conduzir o ser humano contemporâneo ao encontro do Sagrado. Podemos nos adaptar ao nosso tempo sem precisar fazer concessões da fé.


Outro aspecto a se levantar é se o surgimento de uma sociedade globalizada pode ser motivo para o desaparecimento das religiões que se encontram fundadas em valores culturais situados no tempo e no espaço. Se, de certo modo, temos que o desenraizamento típico da pós-modernidade provoca a perda de valores tradicionais e até mesmo compromete a identidade e o sentimento de pertencimento às culturas locais; encontramos aí também a possibilidade de construir uma espiritualidade mais ampla, abrangente e universalista. Basta estarmos dispostos a encarar a espiritualidade como um fenômeno maior e mais profundos que as religiões.


A proposta do Blog da Faculdade de Teologia Umbandista é facilitar os diálogos entre ciência, filosofia, religião e arte. Também espera discutir a fundo as várias tradições religiosas do planeta na expectativa de desfazer os preconceitos e fertilizar o campo das idéias com os ensinamentos dos grandes espíritos que já passaram pelo planeta.


Por fim, esperamos que ampliando a compreensão sobre todas as religiões, avancemos no entendimento do Sagrado em si e possamos enriquecer a cultura dos umbandistas e de todas aqueles que buscam a paz e a convergência.

(texto extraído do blog da Faculdade de Teologia Umbandista)